• Thiago Maia
    17
    Em função das respostas que tivemos em nossa pesquisa Vozes da Multidão e todas as conversas que tivemos desde 22 de novembro, conseguimos avançar um pouco mais em uma proposta geral com os principais aspectos que servem de norte para o funcionamento da Multidão. Gostaríamos de checar com vocês as principais dúvidas, sugestões e inquietações referentes aos pontos abaixo:


    • A Multidão irá financiar tanto jornalistas (pessoas físicas), quanto coletivos, organizações e agências.
    • A Multidão irá financiar projetos variados (ex: oficinas de formação de jornalistas, compra de equipamentos, exposições fotográficas, etc) e pautas/reportagens (produção de conteúdo escrito/fotográfico/audiovisual).
    • A Multidão irá financiar tanto proponentes bem estabelecidos quanto proponentes estreantes, tendo como princípio fundamental de sua mecânica a diversidade e pluralidade, para garantir que o fundo sirva não só para fortalecer quem já se estabeleceu, mas possa impulsionar grupos e pessoas que tem historicamente dificuldades em acessar recursos e audiência.
    • Os membros da Multidão irão contribuir financeiramente para o fundo, por meio de uma campanha
      de arrecadação no Catarse. Ainda não definimos se será uma campanha pontual feita uma vez por ano, com uma meta alta que cubra todas as rodadas de financiamento do ano ou um projeto de assinaturas que prioriza o crescimento gradual da base de membros. Para exemplificar, utilizando números totalmente fictícios, podemos optar por uma campanha de arrecadação tudo-ou-nada com meta de 1,2 milhões ou uma campanha de arrecadação recorrente, onde os membros contribuem todo mês, e nesse caso a meta da campanha seria por exemplo, R$100.000,00 por mês, totalizando também 1,2 milhões ao final de um ano.
    • Em uma periodicidade ainda a ser definida, os membros serão convidados a se engajar na escolha de temas. A partir dos temas escolhidos, será feito uma chamada pública para que proponentes inscrevam seus projetos em um prazo determinado. Esses projetos passam por uma avaliação técnica para assegurarem que apenas projetos que sejam viáveis de serem executados passem para a fase de votação.
    • Após encerrado o prazo de inscrição de projetos, os membros da Multidão terão então a possibilidade de votar/escolher quais projetos irão receber os recursos. (e então o ciclo se repete, mantendo a Multidão como um fundo vivo, com atividade sempre frequente).
    • Não temos o modelo de negócio totalmente fechado para a Multidão mas acreditamos que qualquer iniciativa deva nascer sustentável e com saúde financeira para ser operacionalmente independente. Foi assim que fizemos com o Catarse e isso se torna ainda mais necessário na Multidão para que ela tenha autonomia e capacidade de realizar o que estamos nos propondo a realizar. Estamos estudando como torná-la independente até mesmo do Catarse, buscando referências para projetar a melhor maneira de a Multidão se tornar uma iniciativa que caminhe com as próprias pernas e sustentável desde seu primeiro dia de funcionamento. Entendemos, portanto, que dos fundos levantados, uma parte será utilizada para manter o operacional do fundo (impostos, pessoas e meio de pagamento) e a maior parte será destinada ao fundo, obviamente.
    • A Multidão precisa ser um modelo de gestão e transparência. Ela terá o compromisso de informar a seus membros sobre o impacto causado pela atuação do fundo bem como noticiar a seus membros sobre o andamento dos projetos apoiados. Entendemos que transparência e confiança são a energia que manterá o engajamento da comunidade. Ou seja, se tudo der certo, a Multidão será fonte de boas notícias.

    Ainda existem uma série de pontos a serem discutidos, e é por isso que desejamos abrir esses primeiros esboços a vocês, e tornar pública essa troca. Dessa forma podemos colher feedbacks, críticas, elogios e impressões com vocês, para termos material para ajustar e construir algo mais certeiro, que seja funcional e tenha a possibilidade de ajudar a Multidão a se tornar uma comunidade mais robusta.

    Portanto, gostaríamos de ouvir o que vocês acham dessa proposta. Aproveitem esse momento para discutirmos, levantarmos questões, eventuais problemas, dúvidas e sugestões. Mesmo que seus questionamentos se relacionem a pontos da mecânica não abordados aqui em cima.

    Nunca é demais falar: Ofensas ou qualquer tipo de discurso de ódio não serão aceitos e estamos aqui para debater, aprender uns com os outros, sair de redes sociais tradicionais (acreditamos que todos estamos precisando) e trocar informações. Portanto, esse é um espaço de diversidade de opiniões, diálogos respeitosos e, possivelmente, de embates saudáveis. Mas não será mais um espaço de ódio.

    Obrigado!
  • Bruno Borges
    3
    Parabéns pela iniciativa. É justamente que eu penso que falta na atual situação da nossa sociedade. Fico muito feliz por poder estar em um ambiente sério e que prioriza a razão e o bom senso.

    Comecei a divulgar o projeto aos meus amigos e tenho tido até agora um feedback positivo, mas eles parecem não se inscrever, alguns disseram que vão se inscrever depois, mas aparentemente também acabam por esquecer. Muitos deles são estudantes de jornalismo e outros produtores de áudio visual.

    Penso eu que se tivéssemos algo mais concreto para apresentar talvez eles possam se engajar em participar também. Muitos já são mais velhos e calejados, para não dizer traumatizados, com falsas promessas e uma ideia sem alguma realização o que demonstre certa estabilidade acaba por ser repelida por eles.

    Como podemos então tornar a multidão mais atrativa a essas pessoas?

    Grande abraço!
  • Thiago Maia
    17


    Oi Bruno! Obrigado pela sua mensagem, de verdade. Você foi o primeiro a interagir aqui no Fórum e isso me deixa super feliz!

    De fato esse é um feedback que tem aparecido bastante - a falta de algo mais concreto. O curioso é que a ideia é justamente que possamos construir juntos a Multidão, então acredito que de certo modo a "concretude" do processo no momento é possivelmente a construção que estamos fazendo aqui! Acho que em alguma medida isso já é algo que possa tornar a Multidão mais atrativa - a divulgação de que o processo de construção por trás já é algo que valha a pena se envolver. (inclusive a ideia é que a gente possa ajudar vocês nesse processo de contar a história da Multidão - ou seja, queremos e precisamos escrever posts mais públicos sobre como está sendo o andamento do projeto até aqui, contando um pouco esse lado dos bastidores)

    Mas, para tentar também dar uma ideia mais objetiva: acho que por enquanto o que temos de concreto na mão para tornar a Multidão mais atrativa é tentar contar um pouco a história do que vem acontecendo com as mídias independentes, especialmente sob a ótica do financiamento.

    Recentemente publicamos dois posts no Blog do Catarse contando sobre o crescimento de iniciativas de mídias independentes que estão usando a modalidade de financiamento recorrente no Catarse (chamada Catarse Assinaturas), e como isso é benéfico para o setor. Quase que numa linha de contar boas notícias para quem já está calejado e desacreditado. Sim, tem coisas acontecendo e esse ecossistema de jornalismo está se movendo, e acredito que em alguma medida o Catarse Assinaturas é um dos muitos termômetros dessa mudança.

    Se você quiser dar uma olhada nesses posts:
    http://blog.catarse.me/assine-midias-independentes/
    http://blog.catarse.me/boletim1_jornalismo_assinaturas/

    Faz sentido? ou você estava pensando em algo mais focado a mecânica da Multidão em si?
  • Rafael Bruza
    1
    Olá amigos,

    Estou acompanhando todas as novidades. Acho que a Multidão segue um bom caminho ao princípio. Essa fase de reunir pessoas interessadas, planificar e ouvir as pessoas é fundamental e fez falta no nosso Independente (IndependenteJor nas redes), onde o navio foi construído quando já estava na água navegando rsrs

    A decisão de virar um fundo pode ser revolucionária, tendo em vista que a maior dificuldade de produtores de conteúdo é justamente o financiamento (e a falta dessas verbas inclusive faz muita gente boa "se vender" a políticos, radicalizar os conteúdos ou mudar de área). Então estão no foco certo e podem contar comigo.

    É normal que a Multidão comece com aparente timidez. Como não há definição absoluta sobre o que o projeto será no futuro, o que temos, por enquanto, é a promessa de que o Catarse se engajará no campo do jornalismo alternativo. Isso atrai principalmente pessoas da área e é ótimo, claro (até porque nossa luta é bem solitária), mas as pessoas só vão entender quando decisões concretas sejam tomadas definitivamente.

    Tempo ao tempo, então!

    Não existe receita de modelo de financiamento na mídia digital (ou seja, temos que criá-lo). No Independente, ganhamos "salários" com financiamento coletivo (que hoje é no Apoia.se e estou estudando trazer ao Catarse), venda de produtos digitais (canecas, basicamente) e publicidade do Google Adsense no Youtube e site.

    Se a intenção é contar histórias de financiamento da imprensa, contem comigo. Não quero apenas fazer jornalismo e ganhar meu salário justo e honesto. A intenção do Independente sempre foi desenvolver o jornalismo brasileiro como um todo, fortalecendo os cidadãos em rede, com poder de participação e consciência, e os produtores de conteúdo com formação técnica, conhecimento de empreendedorismo e poder político para fazer denúncias necessárias.

    Então vamos em frente! Contem comigo.
  • Thiago Maia
    17


    Obrigado pela mensagem Rafael!

    A ideia de reunir as pessoas é bem determinante na construção da Multidão mesmo. No fim das contas, o fundo só vai existir se a gente conseguir de fato mobilizar um número suficiente de pessoas interessadas para que ele aconteça. E achamos que seria não só muito arriscado iniciar o projeto já com o financiamento, como também estaríamos desperdiçando uma oportunidade gigante de ouvir e construir o modelo com impressões de todos desde o começo. Que bom que podemos contar contigo nessa jornada!

    O ponto que você levantou sobre desenvolver o jornalismo relacionado a ideia de fortalecer os cidadãos em rede é um gancho para um dos maiores desafios que estamos enxergando, referente a como fazer com que a Multidão não seja só algo de jornalistas para jornalistas? Como criar um processo de engajamento/inclusão de pessoas no fundo que reforce a ideia de que consumir jornalismo de qualidade, no fim das contas, é um ato cívico.

    Eu particularmente acredito que um fundo como a Multidão só vai dar certo se, mais do que bons projetos forem financiados e jornalistas forem atraídos pela ideia, tivermos também uma quantidade significativa de "não-jornalistas" engajados. É um desafio também de geração de audiência né. De fazer com que o fundo crie o hábito nos seus membros de não só botar a mão no bolso para financiar o fundo, mas acompanhar o andamento e participar ativamente das decisões (a hipótese aqui é que, se o nível de engajamento for alto, as pessoas vão se interessar em saber pra onde o dinheiro vai, o impacto que o dinheiro gerou e, consequentemente, vão acabar consumindo/compartilhando os conteúdos e projetos apoiados pelo fundo, fazendo a roda girar né)

    E parabéns pelo seu projeto! Se você quiser em algum momento conversar particularmente sobre ele, me manda uma mensagem aqui que a gente segue o papo!
  • Santos Camara
    2
    Acho excelente a proposta apresentada! Tenho recebido o mesmo feedback (não conseguir trazer pessoas para a rede da Multidão por falta de concreticidade do projeto até agora).

    O que fica vago, na minha opinião, é a definição de qual tipo de pautas serão abordadas. Imagino que com uma linha traçada, falando num sentido estratégico/planejamento, apresentando possíveis editorias possa instigar as pessoas a apoiarem o projeto num todo e não esperarem uma recompensa tangível.

    Como o nome ja diz, atingir a multidão não é algo simples e fácil. A forma da comunicação, diálogo e linguagem tem que ser pensada com cuidado, se queremos atingir todas as esferas sociais brasileiras, temos que identificar os signos linguísticos de cada grupo socioeconômico existente e a partir disso começar a pensar em maneiras de entregar a mensagem ao receptor de forma direta e simples, que no final das contas, consiga persuadir o leitor a apoiar o projeto de cabeça.

    Posso ter dado uma viajada no feedback, mas é isso o que vejo no momento..
    Abraços
  • Thiago Maia
    17


    Oi Santos, desculpa a demora! Semana de final de ano chegou e me desliguei aqui do computador.

    Não viajou no seu feedback não, de forma alguma! Na verdade faz todo o sentido o que você falou e nosso foco agora no início de janeiro será justamente ter mais definição do que você chamou de editorias. O ponto aqui é: o fundo se pretende a ser contínuo e durar por muito tempo, logo vamos ter diversas rodadas de financiamento. Como num edital mesmo, onde o processo de fazer chamadas públicas tem um ritmo. A ideia que mais estamos inclinados no momento é aproveitar essa fase de mobilização para já definir o tema/editoria da primeira rodada do fundo.

    Acho que com isso já podemos transformar a proposta da Multidão em algo mais concreto. Ao invés de "Ajude a construir um fundo coletivo para financiar projetos jornalísticos", já podemos começar a comunicar "Ajude a construir um fundo coletivo para financiar projetos jornalísticos. Nossa primeira chamada pública será para impulsionar projetos que tratem da causa xyz e que sejam abc, etc."

    Sobre a questão da linguagem/comunicação/diálogo - esse é também um grande desafio. Por um lado, perseguir uma linguagem que se pretenda a falar com todo mundo parece ser algo inviável. Corremos o risco de tentar falar com todo mundo e acabar não falando com ninguém rs . É natural que um produto alcance primeiro um grupo mais restrito, para depois aumentar sua audiência aos poucos (essa imagem aqui ilustra um pouco isso early-adopter-e1483984954671.jpg )

    Por outro lado, existe sim o desafio de aumentar ao menos esses primeiros usuários iniciais. Tentar trazer mais diversidade para esse grupo de 1000 pessoas que já demonstraram interesse. Nós estamos no momento procurando construir uma rede de mobilizadoras e mobilizadores que estejam em diferentes cidades, de diferentes esferas sociais, para alcançarmos mais pessoas. É um trabalho difícil!

    Se você tiver alguma ideia/sugestão de como podemos amplificar o alcance, só falar aqui!

    Abs
  • Luiz Denis Graça Soares
    1
    Então..comecei a vida adulta no final dos anos setenta do século passado e o crescimento da imprensa "alternativa" que era financiada com algo semelhante ao crowfunding. Estes jornais eram mantidos basicamente pelas assinaturas de apoio e por vendas de "mão em mão" onde buscava-se arrancar do comprador um valor maior que o preço de capa. As vendas em banca eram irrisórias até porque poucas bancas se dispunham a vender.

    O que motivava o apoio financeiro era a identidade com o viés ideológico do veículo e o desejo de financiar uma visão de mundo bem específica. O que não é o caso do Multidão e iniciativas similares que propõe uma pauta ampla que talvez desestimule quem tem uma visão de mundo arraigada.

    Talvez uma alternativa seja a adoção de chamadas temáticas, reservando parte dos recursos dos temas com mais adesão para ajudar nas pautas menos votadas.

    Mas como vivemos em época de poucas certezas o experimento, a avaliação contínua e a correção de rumos é o que deve nortear...sigamos.
  • Thiago Maia
    17


    Ótimos pontos, obrigado pela mensagem!

    Acho essa sua sugestão de reservar parte dos recursos dos temas com mais adesão para ajudar projetos/pautas menos votadas uma boa ideia. Pode ser um mecanismo que traga mais diversidade para o fundo.

    Semana que vem nosso foco é convidar vocês a decidirem conosco justamente o(s) tema(s) que iremos abordar numa primeira rodada de financiamento. Já está claro que precisamos dar esse passo, para começar a clarear mais o processo e poder já partir para uma fase onde conseguimos não só falar com quem está interessado em financiar o fundo, como também em conversar com jornalistas/comunicadores que se beneficiariam da Multidão.

    Sigamos!
  • Pedro Henrique
    2
    Qual sua formação?isso aqui seria um site de informação para ajudar jornalistas independentes?
  • Thiago Maia
    17


    Oi Pedro, não entendi muito bem sua pergunta sobre a formação e a quem você estava se dirigindo exatamente ;)

    Sobre a ideia da Multidão, explicamos na página https://www.multidao.com.br/ . Você deu uma lida nos textos lá? Alguma dúvida que tenha te surgido depois de ler os textos no site e a explicação aqui deste tópico?
  • Fabric
    1
    Ideia interessante, mas não ter um foco e não seguir uma linha afasta pessoas como eu que não iriam querer financiar grupos de direita
  • Pedro Henrique
    2
    Desculpa se não expliquei muito bem,mas queria saber se vc "thiago",fez alguma faculdade?
  • Rodrigo Borges Delfim
    1
    Olá pessoal!

    Em primeiro lugar, parabéns pela iniciativa - e espero poder contribuir, seja como usuário, seja como membro. Fiquei mais contentes ainda em ver alguns nomes que já conheço por aqui - alguns pessoalmente, inclusive.

    No começo fiquei um pouco ressabiado com o fato de só conseguir informações sobre o projeto se eu conseguisse convidar alguém - me soou um pouco pirâmide. Mas depois que li algo sobre o Multidão em algum site sobre jornalismo, perdi o receio e consegui trazer um convidado.

    Achei a proposta bem interessante, e até mesmo ousada. Comecei nesse ano a estudar meios de financiamento permanente de projetos jornalísticos e me pego pensando em como o projeto do qual faço parte poderia se beneficiar disso - mas também colaborar para o sucesso desta iniciativa coletiva. Compartilho das mesmas dúvidas dos colegas que já falaram - e agora, das respostas compartilhadas.

    Vivo uma situação parecida com o Independente.Jor, do Rafael. Não tinha grandes pretensões quando iniciei o MigraMundo, em forma de blog. Depois que percebi que os posts eram usados como fonte de informação, comecei a me debater sobre como poderia viabilizar um projeto jornalístico sobre um tema que costuma ser ignorado até dentro de pautas sociais.

    Vejo o jornalismo não apenas como um ganha-pão, mas como algo com potencial para transformar realidades. E creio que essa multidão - me corrijam se eu viajei aqui - ainda pode ajudar a criar projetos transversais, que aproveitam o melhor de dois ou mais veículos
  • Rodrigo Machado
    9


    Oi Rodrigo, tudo certo?
    Obrigado por compartilhar suas percepções!

    Sim, um dos objetivos da Multidão é intensificar e adensar a rede, o que de certa forma favorece e ajuda na criação de projetos transversais. Sem dúvida essa é uma das apostas que fazemos e temos como hipótese de que uma rede de diálogo qualitativo menos difusa (ex: facebook e outras redes) e focada em mobilizarmos algo comum, pode gerar conexões inesperadas, colaborações e trocas de experiência. Espero que nossa hipótese se concretize! :)

    @Fabric
    A gente vai entrar na fase agora de clarear justamente o foco dos primeiros movimentos da Multidão. Essa semana já abriremos um outro tópico aqui consultando os interessados e interessadas em colaborar. Com certeza é importante para podermos dar próximos passos. Até o momento estávamos validando se a ideia tinha pé e cabeça. Parece que sim. Agora, com a colaboração de todos, vamos começar a moldar e definir coisas mais específicas, como essas que você sente falta.

    @Pedro Henrique
    Sobre formação, o Thiago é formado em desenho industrial pela ESDI UERJ e eu sou jornalista formado pela PUC RJ apesar de ter saído direto da faculdade para empreender nesse mundo do financiamento coletivo. Tem algo específico que você gostaria de saber sobre isso?


    @Luiz Denis Graça Soares @Santos Camara @Rafael Bruza @Bruno Borges , Obrigado pelas interações e se tiverem mais dúvidas ou contribuições, só jogar aqui.
  • Bruno Borges
    3

    Obrigado Thiago, li os posts que sugeriu e as coisas clarearam bastante.
    Esse final de ano fiquei atolado com outro projeto, mas já começo a me mobilizar para apresentar as ideias para mais pessoas.
    O fórum parece estar funcionando muito bem, é muito bom ver como todos estão alinhados e engajados, assim me animo também a dar mais sugestões.
    Sigamos!
  • Andeira
    3
    Olas,
    Vou reiterar o que já foi dito, também estou divulgando o projeto, mas não tenho conseguido engajamento real pela falta de concretude. Não estamos acostumados a construir, de um modo geral queremos a coisa pronta.

    Mas entrando aqui e já vendo muita gente, da pra perceber, que está acontecendo. Devagar agora, mas vai melhorar.

    Com relação ao financiamento, quando começar, acho importante ter sempre as duas opções: contribuições únicas e outra mensal. Outro fator importante é a contribuição nos eventos físicos e venda de produtos.
  • Rodrigo Machado
    9

    Obrigado pelas palavras Andeira!
    Só para clarear essa questão, estamos produzindo tudo com recursos próprios e o Catarse não tem grana sobrando para acelerar um novo produto. Hoje somos 11 pessoas trabalhando no Catarse e cuidando de uma plataforma que dá um trabalho danado e é sustentável, mas não gera sobras nem acúmulo de capital que possibilite investimentos. Essa é uma das explicações do porquê estamos caminhando devagar, mas em constante avanço. No fundo gostamos de fazer assim também... é mais difícil, mas mais sólido também se tivermos a tranquilidade para seguir dessa maneira.

    Sobre a falta de concretude, chegaremos lá. Como você captou, construir é diferente de receber uma proposta pronta. Pra gente a falta de concretude era não só importante mas necessária: só vamos chegar mais perto de boas soluções se estivermos abertos a entender os problemas que desejamos resolver. E o apontamento desses problemas tem de vir em partes da comunidade mesmo.

    Não sei se você já respondeu, mas te convido a responder a nossa enquete sobre qual deveria ser o foco da Multidão. :)

    Obrigado demais pela sua contribuição!
    Vamo que vamo.
  • Andeira
    3
    Sim, vai dar certo. No andar da caminhada novos caminhos vão aparecer. eu que agradeço a iniciativa.
  • Carol
    2
    Olá.

    As primeiras informações que nos foram passadas parecem promissoras, fico feliz com isso. Uma dúvida que tenho, talvez um pouco adiantada, é quanto à distribuição do conteúdo futuramente produzido. Gostaria de saber se ele será livre ou não, impresso ou digital (ou ambos), esse tipo de dado.

    Muito grata :)
  • Thiago Maia
    17
    Sim, tivemos uma surpresa positiva com o Fórum! Tem alguns probleminhas de usabilidade, mas foi o melhor que conseguirmos encontrar. Sigamos!

    @Carol Nem acredito que seja uma dúvida tão adiantada não, pois ela pode influenciar diretamente no mecanismo da Multidão. Eu sou partidário de que, por ser um fundo coletivo que tem em seu DNA a ideia financiar projetos/pautas/conteúdos pela sociedade civil para a sociedade civil, os conteúdos futuramente produzidos devam ser disponibilizados com livre acesso, sem um "paywall" ou algo do gênero impedindo seu acesso. Você pensou alguma coisa diferente?
  • Rodrigo Machado
    9

    Complementando o @Thiago Maia @Carol ,

    Na nossa visão, em um cenário onde há uma disputa pela qualidade da informação circulada, o paywall acaba por agir como barreira de acesso. Apesar de ser um artifício legítimo, que visa buscar caminhos que não a publicidade para o sustento do jornalismo, nos parece que não é muito funcional para a Multidão, já que um dos nossos objetivos é aproximar jornalistas e leitores.

    Sobre a questão de impresso ou digital, aqui estamos no campo da imaginação mesmo, pois estamos numa fase bem anterior a de avaliar projetos e definir a mecânica totalmente precisa. A princípio é importante pra gente priorizar conteúdos digitais pela maior facilidade de distribuição, mas entendo que não existem barreiras para projetos que trabalhem com conteúdo impresso pleitearem recursos, desde que eles sejam técnicamente viáveis e a comunidade os escolha.
  • dtygel
    9
    Gente, não sou jornalista. Atuo fortemente no nosso contexto local, na Aliança em Prol da APA da Pedra Branca ( https://catarse.me/aliancapelapedrabranca ). Buscamos fugir da pauta restrita à defesa ambiental, agindo também na construção de propostas para um desenvolvimento inclusivo, sustentável, solidário, participativo, e culturalmente respeitoso com a diversidade.

    Tenho um monte de dúvidas de como a Multidão poderia se diferenciar do catarse em si: pois tornar-se simplesmente uma plataforma de financiamento a projetos de comunicação seria um "catarse-jornalismo" rsrsrsrs.

    Portanto, me parece mais interessante que a figura das pessoas "assinantes" possam "votar" periodicamente em causas específicas, casos específicos, temas específicos, e aí uma onda ou "série" de artigos ou materiais ou meios (não sei que nome se aplica) cobriria esta área por um tempo.

    Meu temor com o simples "voto" é que a qualidade decaia para o lado estúpido da multidão (trocadilho sem graça). Por exemplo, soldadinhos de visões simplistas buscando a estratégia de "dominar" as votações para impor pautas ou métodos ou apoio a meios específicos que não contribuem para a abertura de mentes, mas sim para a desinformação, manipulação e criação de narrativas falsas (fakenews).

    Portanto, uma editoria/curadoria dos projetos a serem financiados seria muito importante. Crucial. Ou, em outras palavras: seria interessante identificar riscos de busca de dominação da plataforma, ainda mais neste campo da produção de informação, campo de disputa assídua no atual contexto nacional.

    Penso em outras duas possibilidades de apoio, além do que coloquei acima de apoio em causas, casos ou temas:


    • Uma delas seria permitir apoios a meios ou autoras/es específicos. Ou seja, que assinantes possam dizer quais meios de comunicação e/ou autoras/es tem predileção, e portanto uma porcentagem maior do seu apoio iria para estes indicados.
    • Outra forma pode ser um "match" (tinder) entre organizações/lutas emancipatórias (por direitos humanos, contra opressão, pelo meio ambiente, por terra, etc) e jornalistas ou meios de comunicação. Assim, poder-se ia abrir chamadas públicas para entidades, movimentos, grupos, associações, sindicatos ou comunidades exporem o que estão vivendo, e a Multidão buscaria competentes jornalistas ou meios de comunicação interessados em cobrir estas histórias de resistência, luta e proposição, e transformar em conteúdos para a sociedade, com a qualidade necessária. As pessoas que fizessem parte da Multidão poderiam votar nestes casos inscritos nas chamadas para que os 10 mais votados fossem então cobertos com financiamento do fundo da Multidão. Não sei se fui claro, mas me parece super interessante este modelo, pois apóia tanta coisa linda e dura rolando por aí, que não tem o devido tratamento de comunicação profissional, o que custa vidas, montanhas, rios e direitos.

    Me interessa especialmente esta última forma de funcionamento, de propiciar o encontro entre quem faz jornalismo e quem está na ponta lutando por um mundo (um Brasil) justo, diverso, bonito...

    Mas repito meu temor, de que grupos simplificadores de robôs tentem hackear a capacidade crítica da Multidão. Seria necessário pensar os mecanismos para impedir este tipo de "boicote".
  • dtygel
    9

    Na minha opinião, o conteúdo teria que ser livre e em diferentes formatos. Nada de paywall, senão não tem sequer sentido pensar em um formato de financiamento colaborativo de elaboração de conteúdos jornalísticos...
  • dtygel
    9
    Com relação aos conteúdos elaborados, fico na dúvida se os conteúdos ficariam hospedados na própria plataforma Multidão (e a Multidão se tornar uma fonte de informação...) ou então que o apoio fosse a diferentes plataformas e meios de disponibilização dos conteúdos.
  • cristiano
    1
    Salve, salve galera tudo bem?

    Bah pessoal, é tão bom ver iniciativas brotando assim, de uma forma mais espraiada e sem nenhum tipo de muro de intelectualidade impedindo a ampliação dos olhos.

    Antes de qualquer coisa, me apresento. Meu nome é Cristiano Lopes, sou de Cruz Alta, no RS e estou no ultimo ano de jornalismo. Chegar a academia aos 40tão foi além de uma oportunidade do Prouni, uma boa semeadura em um cenário de transformações no jornalismo. Não tenho dúvidas que teremos grandes desafios ao horizonte. E acho que essa semente do Multidão vai brotar e se espalhar. Parabéns pela iniciativa e que bom que ninguém soltou a mão de ninguém. Estou aqui a disposição e também apostando no jornalismo colaborativo e na minha praia que é o jornalismo móvel.

    Então penso que ter espaço para editais de projetos que apoiem narrativas feitas de dispositivos móveis seria bem legal na multidão. Uma plataforma democrática, acessível e repleta de tecnologias e metadados para fazer o conteúdo chegar onde causa mais impacto.

    Desculpe a demora em responder.

    Tamo Junto!
  • Carol
    2
    Pelo contrário, acho que o melhor é ser livre mesmo.
  • Thiago Maia
    17
    valeu pelo seu comentário @cristiano ! Sejam bem vindo!

    @Carol @dtygel Isso, a ideia inicial é que o conteúdo seja livre e que seja produzido/hospedado pelas próprias organizações/coletivos/agências que receberam o fundo. Ou seja, na visão inicial a Multidão não é quem publica e hospeda.

    Porém, um ponto que já identificamos (e que é na verdade um risco no projeto) é: os membros que financiam a Multidão querem saber sobre os impactos gerados pelo fundo. E, nesse sentido, a Multidão pode ser entendida como uma produtora de conteúdo também. Mas não o conteúdo em si que foi viabilizado graças aos recursos do fundo (que é hospedado nos próprios veículos beneficiados), mas sim um conteúdo de "prestação de contas" (esse nome é meio ruim, mas é mais para ilustrar). Ou seja, um conteúdo que deva ser produzido internamente por um time de comunicação da Multidão para mostrar aos membros e ao mundo o que foi gerado graças ao fundo.

    Faz sentido?
  • Thiago Maia
    17


    Boas observações e os temores são bem válidos. Eu acabei falando um pouco sobre alguns pontos que você levantou nesse comentário no outro tópico, especialmente sobre como a Multidão é diferente do Catarse: https://forum.multidao.com.br/discussion/comment/51

    • Sobre robôs - para ser membro da Multidão, você precisa contribuir com o projeto financeiramente e, para isso, é preciso colocar seus dados de pagamento (nome, cartão de crédito, CPF). Isso por si só já cria uma barreira. Além disso, o fluxo de pagamento que usamos tem um sistema antifraude, para coibir pagamentos fraudulentos. Não resolve todo o problema, mas já ajuda acredito eu.
    • Sobre o lance do "match/tinder" - achei ótima a ideia. Ela me lembra, ainda que com uma série de diferenças, a ideia da Reportagem Pública, da Agência Pública, financiada algumas vezes no Catarse, onde os apoiadores do projetos votavam em pautas já definidas por jornalistas. É diferente do que você falou, mas tem alguma semelhança (https://www.catarse.me/users/173277-agencia-publica).
  • dtygel
    9

    Ótimo, para os dois: Conteúdos financiados ficam alojados por conta de quem foi financiado, e que haja os conteúdos internos de prestação de contas para dar conta dos impactos gerados. Agrego que possa ser interessante como parte da chamada pedir de cada produtor de conteúdo algumas métricas sobre os impactos de sua publicação para ajudar a compor dados para prestação de contas da Multidão.
  • Thiago Maia
    17
    Exato! Esse trabalho junto com o produtor de conteúdo para tornar a prestação de contas o mais completa possível vai ser essencial.
  • Irene Loewenstein
    1
    Oi, pego o bonde andando... sou Irene, socióloga e educadora popular...portanto uma outsider na área mas muito interessada em boa informação/comunicação.
    Parabenizo a iniciativa e o caminhar deste Fórum da Multidão!

    Começando pelo final, sugiro que o instrumento de 'prestação de contas' (referido por Thiago) seja algo bastante robusto no sentido de comportar pesquisa e análise sobre o trabalho desenvolvido e hospedado nos diversos orgãos/com os jornalistas, isto é, que seja uma linha de trabalho da Multidão. Funcionaria como retroalimentação informativo-analítica sobre o caminhar, ao mesmo tempo que um registro do histórico da Multidão. Poderia ficar disponível para alimentar o Fórum- alimentar a tessitura coletiva do pensar e do repensar.
    Caminhando...
  • Anderson Moraes
    4
    Olá sou jornalista, tenho um jornal com recorte racial e de vulneráveis e sou Jornalista Livre. Quero saber mais como posso colaborar. Abraços
  • Rafaela Marques
    2
    Oi, pessoal.

    Estou chegando um tanto atrasada (acho), por isso queria saber se vocês compilaram os inputs recebidos neste tópico e se algo foi modelado a partir deles. E, claro, se é possível compartilhar isto conosco.

    Um abraço,
  • Thiago Maia
    17


    Não está chegando atrasada não! Nós iniciamos nosso processo de mobilização no final de novembro, mas como era final de ano/férias estivemos um pouco mais quietos e estamos retomando as atividades agora.

    Olha, ainda não compilamos os inputs neste tópico não, mas está nos planos e quando for feito sem dúvida vai ser compartilhado com vocês. Inclusive, fica aqui o convite para você também contribuir/sugerir/comentar tanto nesse quanto nos outros tópicos em aberto.

    @Anderson Moraes Isso vale pra ti também (e se puder me passar o link do jornal que você citou, eu fiquei curioso em conhecer!)

    No momento a ajuda que estamos pedindo é que não só participem desses tópicos de discussão, dêem sugestões, façam críticas e comentários, como também espalhem na rede de vocês a Multidão, para atingirmos o maior número possível de pessoas nesse momento.

    Um abraço,
  • Anderson Moraes
    4
    O link do meu jornal https://web.facebook.com/jornalempoderado/ (página do Face) ou o site: http://jornalempoderado.com.br/ nosso jornal da Voz aos Invisíveis e valoriza a cultura negra. Aceitamos colaborações de jornalistas e até quem não é jornalista e abrimos a oportunidade para que as pessoas possam expressar suas necessidades, felicidades e frutações. Mas tambem temos temas variados como Mundo Nerd ( vamos fazer nosso III° evento de Mundo Nerd com grandes participações de quadrinistas nacionais), temos uma página só de esporte "Futpaulista" entra outras coisitas mais rs

    Abraços!
  • Thiago Maia
    17
    Boa Anderson. Vou dar uma olhada no seu jornal com calma, obrigado pela resposta e pela referência!

    Abs
  • Anderson Moraes
    4
    Estou no aguardo de mais informações sobre o projeto. Bom dia!
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